Tempos que vivo

Era uma vez, em que todas as vezes tinham importância, e nada se tornava comum. Em um tempo, houve tempo para os homens. Um relógio quebrado, horas desajustadas, mas isso não importava muito... Um tempo onde tudo era mágico, onde nada precisava fazer sentido, apenas o momento importava no momento, e curtir é o que há.
    Nesse tempo os homens viviam. Nesse tempo, os homens se sentavam à sacada e observavam a arte de sombras que o sol das cinco desenhava na porta de madeira de suas casas.
    Se eles tivessem uma ideia, davam continuidade à essa, em vez de adiá-la para mais tarde ou mesmo jamais chegar a fazer por falta de tempo. Como eu disse, nesse tempo havia tempo de sobra para os homens. A ocupação em tempo integral por dinheiro não deve existir.
    Nesse tempo, os homens não se importavam em parecer crianças de vez em quando, porque eles sabiam o quanto é bom se sujar de terra e tinta, como é bom correr na grama e sentir o vento no rosto. Conheciam a magia em ser criança mesmo sendo adultos.
    As pessoas sorriam para as outras e eram simpáticas, não havia preconceitos nem escala social. Todos eram amigos, e ninguém fazia pouco caso dos casos. Sobre tudo se refletia no mundo dos pensadores, pescadores de ideias tão interessantes.
    Na verdade, esses tempos continuam até hoje, dentro dos que escolhem por esse caminho. Esses tempos, os melhores tempos de todos os tempos... Tempos de viver. Tempos que vivo.

Sem título por hoje.

Ok, eu estava aqui procurando alguns sites que falassem de experiências de pessoas que tiveram os cabelos pintados de cores exóticas, mas não achei nenhum. Eu não costumo fazer muito isso, nem falar dessas coisas aqui no blog, mas como ultimamente tenho tentado de todas as formas distrair a minha cabeça de certas preocupações que insistem em preenchê-la, faço o mesmo que meu pai.
Meu pai é um cirurgião plástico muito conhecido na cidade pequena em que moramos, e para lidar com todo o estresse da sua profissão, ele cria projetos aos quais se dedica quase que em tempo integral – claro, quando não precisa estar trabalhando -. Ele fica meio que obcecado com isso, até que chega uma hora que ele enjoa, e então pàra. Mas não consegue ficar muito tempo sem essa válvula de escape, sabe?
E acho que sou como ele.
Há algumas semanas, comprei umas tintas da Exotic numa loja muito legal aqui da cidade – hoje é a loja que eu mais freqüento –, e botei na cabeça que iria pintar o meu cabelo de azul. Dito e feito. Chamei minhas amigas pra minha casa e fiz um dia de salão – coisa única na minha vida, que nunca fui muito de me arrumar ou falar de futilidades com ninguém –, e então aproveitei. Usei as duas como minhas cobaias. Pobres, pobres cobaias.
A Natália, meiga e delicadinha Natália, não faço idéia de como me deixou fazer essa loucura, mas vamos lá. Pintei uma mecha azul, que hoje está verde, na parte debaixo do seu cabelo enorme, e ficou legal. Mas não era a cor que eu queria. E a Nathaly, a mais louca e irreverente, eu repiquei muito o cabelo dela, e depois pintei as pontas do repicado de laranja. Ficou muito legal!
Mas enfim, eu pintei um pouco do meu, mas quase não dá pra ver, já está desbotando... Vou pintá-lo de azul. Não sei quanto dele, nem em qual parte, mas vou. Azul Puro Escuro. Não sei por que as pessoas aí de fora fazem isso, não faço cosplay nem nada, não sou, sei lá, roqueira ou algo do tipo, mas eu gosto. Eu me sinto bem sendo diferente.
A idéia de que as pessoas irão me olhar feio na rua não me preocupa, na verdade me divirto sabendo o que pensam de mim só pelo olhar. Rio comigo mesma. Não de desprezo, mas apenas pelo prazer de pensar que elas nunca saberão como é ser eu, como é revigorante ter os olhos de alguém que pensa além, que zomba da sociedade por rirem de você e não teme o dia de amanhã. Mesmo que todo esse pensamento revolucionário pareça só vir da tinta do cabelo.
Certo, não faço idéia do por que vou postar esse texto irreverente e sem coesão no blog, mas vou. E sabe por que vou? Porque... Afe, acabei de dizer que não sei o por quê. Mas deve ser algo como “só pra mostrar que odeio a rotina de escrever sempre as mesmas coisas, não gosto da aula de redação da escola e detesto padrões! ISSO É O MEU GRITO DE PROTESTO, PORRA!”
Mas não, não é.
É só uma desculpa pra dizer que eu odeio a sua aula, Hortência. Agora me mande escrever a porra de uma redação sobre pessoas que pintam seus cabelos de colorido nessa sociedade preconceituosa, por favor.
Obrigada.
Ah, e o post de hoje não tem título, não. Mas dessa vez é só porque eu não consegui pensar em nada, mesmo.

Pequenas alegrias do coração

Sorrir e perceber de surpresa o quão ridícula e encantadora é essa risada. Risada tímida, sussurrada, irada por estar apaixonada. Escreve, e das entrelinhas do papel vai tentando esconder essa risada, esse sussurro de amor com felicidade misturada.
Mistura homogênea. E se não fosse, não era felicidade,e tampouco era amor. Têm de estarem ambos juntos, ou essa risada não existiria. E no lugar da risadinha, uma lágrima cairia. Lágrima quente, salgada. Percorre seu rosto e cai no seu colo, pesada. Água salgada à gosto e desgosto, dependendo de quem serve e quem deve comer. Mas ainda bem que chora, já imaginou se não chorasse, o quão salgado teu corpo ficaria?
Põe pra fora o que tem dentro. Se cultiva coisas ruins, expele as lágrimas baratas, mesmo, durante o choro sofrido ou fingido. Mas se é amor, se é bom o teu espírito, e a mente inteligente o suficiente para não absorver como esponja cega o que vê e o que ouve, solta o som da risada que queres dar. E dá com gosto, porque do papel nunca se esconde as pequenas alegrias do coração.

P.S.: Estou sorrindo.

Dando uma passada...

Só pra não dizer que abandonei o blog, resolvi dar uma passadinha aqui e contar um pouco desse meio tempo em que fiquei sem escrever. Ultimamente a inspiração tem me faltado com a mesma frequência com que rodam os ponteiros do relógio.
Mas enfim, não falemos disso. Falemos então do meu cabelo azul. É, pois é, eu pintei meu cabelo de azul. E também o das minhas amigas, mas depois eu posto algumas fotos nossas que ainda vão ser tiradas... não temos muito tempo de sobra nesse reformatório colégio.
E mais: Achei um gatinho na rua e resolvi criar. É, tive alguns problemas, mas depois eu conto... preciso estudar pra prova de segunda chance da Cultura Inglesa que eu não passei. A avaliação é depois de amanhã, e quem disse que eu sei os assuntos?
DROGA.

Pra você

Olha só, olha só, lá estava eu toda enrolada no cobertor a ler blogs e mais blogs de madrugada... Até que dou um pulo na cama com o susto que o celular vibrando me deu. Eita, que felicidade você me traz! E então fui lá no nosso Evernote como você pediu, e me deparo com isso aqui:

Tu não sabes
O bem que me faz
Seu abraço apertado
Teu beijo molhado
Dois corpos suados
Juntos a dançar
A dança do amor
Singelo calor
A alma a cantar
Eu amo você
Espero te ver
Quando nada enchergar
Paro no seu olhar
Me ponho a pensar
Será que sou eu
Nós dois ou você
Que tem essa coisa
De saber amar...
Um rio de água fria
Se põe a fluir
Tu longe à rir
Me faz sorrir
Saindo à nadar
Direção: Mar
Lugar mais aberto
Compromisso sem veto
Casados em corpo
Unidos em alma
Seguimos essa estrada
Essa é a história, eu e ela
Um rapaz louco e uma moça bela
Que acabaram a morar na favela

Vocês não sabem a alegria que me invadiu com esse gesto tão inesperado! Mas daí percebo que tudo nele é assim. Imprevisível.
Me pus logo a escrever algo pra ele também, mas nada que se compare aos seus versos! Eu nunca soube rimar.

Ainda me é estranha essa alegria que me faz sorrir de olhos estreitos, um sorriso sincero nos lábios meus. Lábios teus.
Dizem que isso se chama amor. Eu, particularmente, prefiro não chamar. Deixar assim como está, um sentimento sem palavras que o possam descrever. Assim como eu, assim como você.
E quando eu tremo e penso isso estar se extinguindo pra você, meu celular toca. Ouço a sua voz sussurada, e juntos sussurramos pela madrugada. Não sei exatamente o por quê, mas por isso amo você. Por ser essa pessoa imprevisível, carinhosa. E aí vem você e ri da minha cara, diz que sou manhosa.
E porque, a cada vez que nos encontramos, é aquela alegria. Menos no final do dia. Porque é quando você precisa ir, e então tenho de levantar a minha cabeça do teu peito e fingir. Fingir que tudo bem, é fácil a despedida... Mas não é! Eita saudade desmedida!
Essas linhas bonitas são todas pra você,
O amor da minha vida.
Ele: Death Magnetic

Como o passarinho da minha janela morreu.

Observo um pardal através da janela do meu quarto. Eu, particularmente, acho pardais muito lindos mesmo, mas eu nunca havia visto um com as pernas tão curtas quanto as deste aqui. A sua cabeça girava freneticamente de um lado para o outro, talvez procurando o seu amigo que há pouco brincava de pega-pega com ele. Acho que o está esperando, mas sei que ele não voltará. Como eu sei disso? Bem, apenas sei. Experiência, quem sabe.
Me pergunto se os pássaros podem pensar como nós. Na escola me ensinaram que somos os únicos animais racionais do planeta, mas como a raça humana já me provou sua eterna ignorância, quem garante que animais não possam pensar em amor e sentir saudades de carinho?
O pardal agora encara estático a parede branca à sua frente como que pensativo, quase que nostálgico. Sei que está pensando no amigo, tenho certeza. Ele o deixou, e agora o pobre passarinho já não sabe o que fazer, como reagir, não faz ideia de para onde deve ir. Eles se deram tudo, e agora um deles nada tem. Tudo o que tinha e tudo o que disse, todos os sonhos e todas as promessas... Em vão. Tudo isso o outro passarinho levou consigo, e agora o pardal da minha janela só tem uma coisa a fazer... Voar. Mas ele não voa.
Pra quê fazê-lo? Vai que ele encontra outro amigo por esses galhos de árvore da vida, dá tudo pra ele, e o malandro, por sua vez, foge como fez o outro? Eu, se fosse o pardalzinho da minha janela, ficava por ali mesmo, definhando e depenando de receio de abrir as asas e voar. Ficaria parado, só esperando que chegasse algo que nunca vai chegar. Uma resposta, talvez.
É, não vejo pra quê arriscar o seu minúsculo coração aviário novamente. É perigoso demais.
E ele, como bom bicho que é, fez aquilo mesmo. Permaneceu parado, estático, passando fome, suando, definhando, depenando... Até morrer. Tudo isso pelo medo de voar.
Porque, sabe, ter medo é bem mais fácil.